Enquanto o prêmio milionário da loteria não chega, vou me acostumando a passar só um pouquinho bem, logo depois de entrar na conta o salário, e depois viver quebrado, contando moeda pra o ônibus. Tem vez de se juntarem as contas num volume tal que o dinheiro evapora e elas não somem. Também, né? Esbanjo. Faço festinha. E depois não consigo conter a cara de preocupação, a coceira e a fome. Mas sozinho eu rio, quando não vai ter plateia pra os choramingos.
Já que os choramingos virão, que antes venham as comemorações, o sorvete, o sushi, o churrasco e o chocolate. A consciência da futilidade com que um tanto bom de dinheiro some não me faz parar de gastá-lo. Sozinho eu sou um perverso, mesmo comigo, e me digo por dentro “se tá vivo, tá bom”. Alguém compreende?
Bati os dedos na prateleira da lojinha e resolvi levar pra casa Pretérito Perfeito – o filme da Casa Rosa, de Gustavo Pizzi. A casa de saliências de Laranjeiras mudou um tanto suas atividades, mas como esta coleção, continua aberta. A mercadoria pode não ser das mais finas, mas ainda diverte os fregueses.
