Marina, Cristovam, Ciro, Leonel…

Todos querem máquina pública eficiente, que saiba arrecadar e que saiba gastar o dinheiro dos impostos. Todos querem justiça, oportunidades mais igualmente divididas. Todos querem crescimento. E cada um acha que há um caminho certo pra se conseguir todas essas coisas.

As pessoas brigam em defesa de suas ideias sobre como o mundo tem que ser organizado. Se estivermos falando do país, a briga certamente vai passar por subir juros, descer juros, expandir a assistência às famílias carentes, enxugar a máquina pública e a carga tributária (dá até preguiça fazer essa lista)… E com essas escolhas, é um sistema que se defende ou que se combate.

Todo mundo quer que tudo funcione certo, mas mesmo essa noção de funcionamento correto só se forma dentro da confusão da vida, do sentimento de pertencer a classes, da fé que as pessoas têm, da descrença que justificadamente podem ter, da necessidade de legitimar suas conquistas, da solidariedade que sentem, das informações que recebem, do tempo que estão dispostas a dedicar ao assunto (mais uma lista extensa)…

Mas nem acho que quando decidimos em quem votar, estamos pensando no país, somente. A gente pensa torto, incongruente. Decide às vezes por nós mesmos, e às vezes pelo mundo todo. E mistura, no julgamento, o que acha bonito com o que acredita ser verdadeiro, o que quer que seja certo com o que acha bom.

Nossa conversa começou permeada por escolhas. A gente se enche de fé na razão na hora de fazer nossas escolhas. E quando a razão parece falhar, como no caso dessa política de merda, resta uma decepção, uma indignidade (existe isso?) na gente. Essa escolha, se tentamos fazê-la racionalmente, nos frustra. Acho que os rumos não mudarão muito na política nacional, nem na administração pública, qualquer que seja o presidente eleito. Ainda assim, tem tanta gente brigando

Um Comentário para “Marina, Cristovam, Ciro, Leonel…”

  1. Ah, o texto foi escrito primeiro como email pra um amigo, ainda durante a campanha de 2006, que reelegeu Lula. Fiz alguma edição, mas achando graça, como meu amigo também achou, de como quase nada muda nessa vida.

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