Arquivo para outubro, 2010

24/outubro/2010

Compra de votos

Rodrigo passou por aqui durante a semana. Servimos carne e tomamos cerveja. Conversamos sobre eleições presidenciais, e ele nos divertiu com seus relatos de participação na campanha da Dilma.

Eu tomo as minhas latas separadas, sem álcool. Daniel e a visita não se excederam. Sobraram latinhas cheias.

Carolzinha e Macaco estiveram aqui na sexta. Servimos outra carne, tomamos mais cerveja. Conversamos também sobre eleições, rimos de bolinhas de papel e quebras de sigilo encomendadas, e Carol ostentava uma Dilminha adesivada no peito.

Continuo tomando cervejas sem álcool. Macaco só toma cachaça. Daniel e Carol não se excederam. Sobraram mais latinhas cheias.

Gummi ficou conosco no fim de semana. Nós, um pouco cansados. Ele, a caminho de uma prova importante — trocamos essas festas de carne, cerveja e política por séries de tevê, sessões de Youtube e desjejuns regados.

As latinhas cheias, agora ultrageladas, resistem.

Quem gostar de cerveja, pode passar aqui em casa pra ajudar. O cardápio não precisa ter carne. O assunto não precisa ser Dilma. É só pra colaborar com o esvaziamento da geladeira, que tá um pouco empacada com esse clima de segundo turno, sabe?

9/outubro/2010

As irmãs vagueiam

;)

A mais nova foi de Teixeira a Ilhéus. Encontrou um caminho, e de lá foi a Belo Horizonte. Fez um tanto de força, emagreceu, ficou leve, e a corrente a levou pra uma longa temporada entre Alagoas e Sergipe. Sentimos que a menina ficava cada dia mais leve, e, na volta, não houve mais jeito de ela se segurar no chão em Minas. Foi de novo a Teixeira, circunstâncias, enquanto ganha peso pra se arriscar de novo no caminho.

A mais velha saiu de Teixeira rumo às beiras de Lisboa. Trabalhou, trabalhou, cresceu, cresceu, saudade não coube mais e ela voltou. Um pouco mais de Teixeira, depois de a vida ter ganhado outro tamanho, exigia outra mudança. Daí ela foi aos Estados Unidos: Hackensack, Newark e outros cantos de nome estranho em Nova Jérsei. Trabalhou mais, cresceu mais, e de novo a saudade não coube. Teve um tanto mais de Teixeira. Fez suas paradas em Minas e no Rio. E agora, sente de novo o peso dessa vida que ganhou outro tamanho, fazendo ela não caber mais em casa.

Por agora, elas não encontraram terreno. Mas minhas irmãs ainda vão fincar lindas raízes.

5/outubro/2010

Lycra, relação tensa.

Vejo sempre as mesmas blusas de tecido elástico, que perturbam a gente com a exposição dos formatos de cada dobra de gordura das pessoas que com elas se vestem. Essas dobras não são eventuais e numerosas, elas são uns dois ou três calombos de tamanhos diferentes, que põem nas mulheres novas linhas de peito. Cobertas por cores muito artificiais, parecem mais almofadas do que carnes.

Muito justas, as blusas, e a gente vê as marcas dos sutiãs apertando volumes nada firmes. Sempre sobra alça ou bojo de sustentador por fora do contorno colorido das blusas, que quase nunca têm mangas. Peças de jeans – calças, shorts, bermudas ou saias – ajudam mais a essas blusas, em seu destino de entortar e deformar moldar e preparar para a vida na rua os corpos de tanta mulher desse mundo.

Não quero pensar agora em porque o mundo engorda tanto, e com formas que parecem tão particulares ao nosso tempo. Intriga mais o uniforme aberrante, questão superficial. Moda não é mais importante do que saúde pública. Talvez por isso, é muito menos refletida.

Quem inventou essas blusas? Quem resolveu expor essas marcas de dobra de gordura e pele num ajuste ultracolorido? Quem fez o preço desse tipo de roupa cair tanto? Quem desenhou, cortou, costurou e popularizou a blusinha de lycra?

Sujeito, você que fez isso, não vou te acusar de uma grande sacanagem. Digo só que essa sua opção de enaltecer formas opostas às representações de beleza mais recorrentes no mundo de hoje me faz coçar os miolos.

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