Lycra, relação tensa.

Vejo sempre as mesmas blusas de tecido elástico, que perturbam a gente com a exposição dos formatos de cada dobra de gordura das pessoas que com elas se vestem. Essas dobras não são eventuais e numerosas, elas são uns dois ou três calombos de tamanhos diferentes, que põem nas mulheres novas linhas de peito. Cobertas por cores muito artificiais, parecem mais almofadas do que carnes.

Muito justas, as blusas, e a gente vê as marcas dos sutiãs apertando volumes nada firmes. Sempre sobra alça ou bojo de sustentador por fora do contorno colorido das blusas, que quase nunca têm mangas. Peças de jeans – calças, shorts, bermudas ou saias – ajudam mais a essas blusas, em seu destino de entortar e deformar moldar e preparar para a vida na rua os corpos de tanta mulher desse mundo.

Não quero pensar agora em porque o mundo engorda tanto, e com formas que parecem tão particulares ao nosso tempo. Intriga mais o uniforme aberrante, questão superficial. Moda não é mais importante do que saúde pública. Talvez por isso, é muito menos refletida.

Quem inventou essas blusas? Quem resolveu expor essas marcas de dobra de gordura e pele num ajuste ultracolorido? Quem fez o preço desse tipo de roupa cair tanto? Quem desenhou, cortou, costurou e popularizou a blusinha de lycra?

Sujeito, você que fez isso, não vou te acusar de uma grande sacanagem. Digo só que essa sua opção de enaltecer formas opostas às representações de beleza mais recorrentes no mundo de hoje me faz coçar os miolos.

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