Tenho um amigo de uma curiosidade que impressiona. Fuçar e garimpar são hábitos muito valorizados por esses dias de trocas em rede, mas tenho quase sempre a sensação de que as buscas chegam mais é a coisas repetidas e conformadas, e que há mais de obsessão do que de gosto nessas procuras. E a pesquisa do meu amigo nessa vida não me faz nunca esse incômodo brotar.
O que faz esse moço, que nos bota invejosos? Faz a gente achar bonito o que é ululante, ri na cara do brega, bota a porcariada hype no chinelo, e chama navio de barquinho sem medo de ser feliz.
O encontro com ele deixa pra mim essas marcas que, suavizadas, ficam ainda mais bonitas: lembro dele ouvindo música, lendo coisas na Internet, dançando, e de vez em quando penso no tanto que os caminhos da minha vida foram transformados por sua carinhosa presença.
Alguma coincidência dessa semana me fez procurar também por uma coisa engraçadinha, e na beira do aniversário dele, encontrei essa versão em inglês pra o poema que ele acusa de ter sido meu. A versão original, posso deixar pra quem não conhece o gostinho de encontrar por si mesmo. Um presente meu pra esse cara amoroso é tornar pública aqui a cute thing of our relationship…
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Guinea Pig
When I was six years old
they gave me a guinea pig.
What heartache it caused me—
all the little creature wanted was to hide out under the stove!
I carried it to the living room,
to the prettiest and best-kept corners of the house
but it didn’t like them.
All it wanted was to hide out under the stove.
It didn’t pay my affectionate gestures the slightest notice.
—My guinea pig was my first girlfriend.
“
Porquinho-da-índia, de Manuel Bandeira.
Poema do livro Libertinagem, de 1930 (que na coletânea This Earth, That Sky: Poems by Manuel Bandeira, com traduções para o inglês de Candace Slater ganhou nome de Libertinism).
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Parabéns, Jéfi! Amor por todos os cantos pra você!
=)
