Arquivo para janeiro, 2011

29/janeiro/2011

sol envelhece

~*~

Logo cedo, já faz calor de miragem e céu sem nuvem. A gente se esquiva pelas sombras, se abriga perto de ventiladores, tira roupa, bebe com gelo, preguiça. Envelhecer perto dos 40 graus deixa a gente com muita preguiça (de escrever, inclusive).

Cerveja, não.

Bolo de aniversário, não.

Parabéns e presentes e abraços, não.

A única justa comemoração é numa rede!

 

11/janeiro/2011

O movimento eterno

Sílvia ama estátuas que pareçam vivas.

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Cecília agora trabalha como modelo vivo.

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Creio eu que Cecília faz Sílvia muito feliz.

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(Seria melhor classificar isso como “Esculturas que não fiz”, ou “Fotografias que não fiz”, mas vamos estender poeticamente a categoria “Desenhos…”)

6/janeiro/2011

Lumia Czchwska (é o nome da distinta senhora)

Um dos meninos franceses esteve no Masp, disse que gostou um tanto, e que ficou impressionado com o fato de uma coleção de arte tão cara ter sido iniciada por um jornalista. “Coisas de Brasil”, disse eu pra ele, pra explicar que chamar jornalista era uma forma mais amigável pra tratar gente dona das maiores empresas de comunicação do país, porque aqui todo mundo é amigo

Sabia dessa história da coleção do museu ter sido iniciada por Assis Chateaubriand, e que lá tem muita coisa única, e um grande vão livre, e uma boa vista da cidade, e uma feirinha de tranqueiras, e uns pilares vermelhos… mas sabia sem saber. Até essa última viagem que fizemos a São Paulo.

Estive pela primeira vez diante de Picasso. Diante de Renoir, de Monet, de Cézanne. De Rafael e de Ticiano. E de tantas imagens mais, que eu pensava que não fariam qualquer diferença na vida, e com as quais agora às vezes sonho.

Fui encantado por uma bailarininha subindo sua saia, de Toulouse-Lautrec. Tem cara de confusão e faz sentir cheiro de festa, suor e espumante.

A gente vê cada pincelada dos quadros de Van Gogh, e os olhos não param de passear por entre aqueles fiapos coloridos, ora juntando eles todos em figuras de gente e paisagem, ora fazendo de tudo uma graça de procurar rastros da mão do artista.

Os retratos de gente aristocrata, de longos pescoços e finas sobrancelhas, feitos por Modigliani, de quem eu nunca tinha ouvido falar, foram, talvez por isso, os mais impressionantes que encontrei lá dentro.

Sortudisticamente, ganhei pôster com a minha peça preferida de todo o acervo: essa mulher que agora te olha. Eu nunca soube de nada!

 

5/janeiro/2011

piu, piu, piu…

8 »

Sou tio pela segunda vez em menos de dez anos. Nasceu Lara, pertinho do natal, pra deixar as nossas festas cheirando a talquinho e colônia infantil. Disse Fernanda, minha irmã recém-parida, que ela pediu a Maria Duda, sua filha mais velha, pra escrever os nomes das meninas no cartãozinho que acompanhava o presente que compraram pra mim: “de Duda e Lara pra o tio Rei”. Duda, desacostumada, com a caneta na mão, pensou e perguntou: “uai, Tio Rei também é tio de Lara?”

Olha o presente que eu adorei ganhar:

Eu pio alto? Caço? Como carne crua? Sou amigo de bruxa? Espreito à noite?

Nada disso eu faço. Mas cá de longe, no coração, eu sonho vigiar o ninho onde essas pintinhas brancas crescem.

2/janeiro/2011

Aquele carnaval que passou

Qualquer lanchezinho era uma festa abundante.

Comi hambúrguer perto do hotel pra me aliviar tarde da noite. Até o catchup deixa saudade.

Tomei daqueles cafés da manhã que a gente tem que ser muito forte pra encerrar antes de explodir. Começava comendo fruta e iogurte, e sem saber como, minutos depois já estava agarrado a um prato de panquecas com chocolate.

Pedi bife à parmegiana e fui surpreendido com uma travessa que serviria três pessoas tranquilamente.

Tive feitos pra mim, em frigideira e com manteiga, uns mistos quentes tostadinhos. Nosso amigo hospedeiro tem um talento especial pra fazer café como mineiros gostam.

Fomos a restaurante indiano, em que os deliciosos pratos sem carne eram acompanhados de suco de pitanga e maçã, servidos livremente em copos de alumínio. Não pense em curry, porque o melhor cheiro sentido era de erva-doce na salada.

Ataquei os pedaços de frango à passarinho enquanto a mesa se distraía com cerveja.

Ganhei brigadeiro de colher e suspiros de nozes, pra chupar rezando a colherzinha e gemer num canto.

Estivemos na deliciosa padaria que nunca fecha. Encarei um sanduichão de salame.

Fomos a uma pizzaria em que bordas de pizza valiam a pena sem recheio. Elas valiam até mesmo uma espera de meia hora na porta.

Enchi um prato com nhoque à bolonhesa num restaurante a quilo.

Comprei alfajor argentino várias vezes.

Em todo lugar aceitavam meu vale-refeição.

Quero que São Paulo me receba muitas vezes mais.

(desculpa aí qualquer comida que não tenha sido citada, mas demorei pra escrever isso, e posso ter misturado as lembranças)

 

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