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Sou tio pela segunda vez em menos de dez anos. Nasceu Lara, pertinho do natal, pra deixar as nossas festas cheirando a talquinho e colônia infantil. Disse Fernanda, minha irmã recém-parida, que ela pediu a Maria Duda, sua filha mais velha, pra escrever os nomes das meninas no cartãozinho que acompanhava o presente que compraram pra mim: “de Duda e Lara pra o tio Rei”. Duda, desacostumada, com a caneta na mão, pensou e perguntou: “uai, Tio Rei também é tio de Lara?”
Olha o presente que eu adorei ganhar:

Eu pio alto? Caço? Como carne crua? Sou amigo de bruxa? Espreito à noite?
Nada disso eu faço. Mas cá de longe, no coração, eu sonho vigiar o ninho onde essas pintinhas brancas crescem.
