Um dos meninos franceses esteve no Masp, disse que gostou um tanto, e que ficou impressionado com o fato de uma coleção de arte tão cara ter sido iniciada por um jornalista. “Coisas de Brasil”, disse eu pra ele, pra explicar que chamar jornalista era uma forma mais amigável pra tratar gente dona das maiores empresas de comunicação do país, porque aqui todo mundo é amigo…
Sabia dessa história da coleção do museu ter sido iniciada por Assis Chateaubriand, e que lá tem muita coisa única, e um grande vão livre, e uma boa vista da cidade, e uma feirinha de tranqueiras, e uns pilares vermelhos… mas sabia sem saber. Até essa última viagem que fizemos a São Paulo.
Estive pela primeira vez diante de Picasso. Diante de Renoir, de Monet, de Cézanne. De Rafael e de Ticiano. E de tantas imagens mais, que eu pensava que não fariam qualquer diferença na vida, e com as quais agora às vezes sonho.
Fui encantado por uma bailarininha subindo sua saia, de Toulouse-Lautrec. Tem cara de confusão e faz sentir cheiro de festa, suor e espumante.
A gente vê cada pincelada dos quadros de Van Gogh, e os olhos não param de passear por entre aqueles fiapos coloridos, ora juntando eles todos em figuras de gente e paisagem, ora fazendo de tudo uma graça de procurar rastros da mão do artista.
Os retratos de gente aristocrata, de longos pescoços e finas sobrancelhas, feitos por Modigliani, de quem eu nunca tinha ouvido falar, foram, talvez por isso, os mais impressionantes que encontrei lá dentro.
Sortudisticamente, ganhei pôster com a minha peça preferida de todo o acervo: essa mulher que agora te olha. Eu nunca soube de nada!

