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Hoje eu passei por Valéria, médica lá no meu trabalho. Conversamos como se não fosse consulta. E na receita que recebi, não há remédios. Suas instruções são: que eu chore tudo o que eu tiver vontade, que eu não assoe o nariz com muita força e que eu só me permita ficar deitado o tempo suficiente para que não junte poeira.
Acho que já parei de chorar. Nunca se sabe quando as ondas de tristeza e a saudade vão me atravessar de novo, mas estou quase certo de que, quando passarem, não tomarei um caldo. E a lembrança de meu pai, ainda bem, tem sido sempre uma lembrança feliz.
Valéria me aconselhou a repetir uns mantras pra sair mais rápido das marés mais salgadas, em que por vezes entro e de onde protelo a saída. Posso repetir o que quiser: uma oração, um versinho, um mote… Uma brincadeirinha tola que um amigão arrumou pra nós me abriu as portas de um mundo bobagento muito divertido, e é a ela que vou recorrer. Tão prático como band-aid: a gente bota ‘buceta’, (ou ‘boceta’, como quiserem) no lugar de um substantivo de nome de filme.
Tem como não rir, pensando em ir ver Harry Potter e as bucetas da morte – Parte 2?
Quem não se emociona com as lembranças da Sessão da Tarde, quando Curtindo a buceta adoidado e Ninguém segura essa buceta animavam nossas infâncias?
Me vem na cabeça as cenas de Bucetas à beira de um ataque de nervos, e a vida fica instantaneamente mais fácil…
