Arquivo para ‘No coração, evidentemente’

21/junho/2011

Loira Fatal

Brasil, 2011. Drama.

Num rincão da Bahia, um monstrinho come os joelhos das pessoas, sem se incomodar com a dor.
(Vídeo gravado e dirigido pela promissora Maria Eduarda Gomes)

 

10/maio/2011

CURURU QUE LAVA O PÉ

Meu irmão, tal qual sapo, coaxou da beira do brejo, “Rei, Rei, como tá seu blog?” Eu cá vim pra agradar ao meu mais assíduo acompanhante, e pra escrever as habituais bobagens.

O fato é que o tempo sem vir aqui me desacostumou. E assim, enferrujado, vou exercitar digitação com as top 3 do alagado:

3- “Sapo Cururu, na beira do rio. Quando o sapo canta, maninha, é que está com frio”

Isso me recupera uma das mais antigas lembranças. Desconectada de qualquer história, me vem a cena de uma tia, que morreu antes dos trinta… É uma imagem de muito conforto.

2- “Eu vi um Sapo na beira do rio, de camisa verde, sentindo frio! Não era Sapo, nem Perereca…”

Cantiga pra reviver o delicioso tempo de convívio com Mariinha, que gostava demais de rir imaginando todo mundo “só de cueca!”

1- “O Sapo não lava o pé, não lava porque não quer. Ele mora lá na lagoa, não lava o pé porque não quer. Mas que chulé!”

Se eu vim aqui pra dizer que amo, é bom eu dizer também que ele é muito cheiroso, e que esses versos não tem nada a ver com o grande Guga. Ah, e o tanto que ele é bonito? Justifica toda a puxação de saco! Nem tem chulé, minha gente!

5/janeiro/2011

piu, piu, piu…

8 »

Sou tio pela segunda vez em menos de dez anos. Nasceu Lara, pertinho do natal, pra deixar as nossas festas cheirando a talquinho e colônia infantil. Disse Fernanda, minha irmã recém-parida, que ela pediu a Maria Duda, sua filha mais velha, pra escrever os nomes das meninas no cartãozinho que acompanhava o presente que compraram pra mim: “de Duda e Lara pra o tio Rei”. Duda, desacostumada, com a caneta na mão, pensou e perguntou: “uai, Tio Rei também é tio de Lara?”

Olha o presente que eu adorei ganhar:

Eu pio alto? Caço? Como carne crua? Sou amigo de bruxa? Espreito à noite?

Nada disso eu faço. Mas cá de longe, no coração, eu sonho vigiar o ninho onde essas pintinhas brancas crescem.

9/outubro/2010

As irmãs vagueiam

;)

A mais nova foi de Teixeira a Ilhéus. Encontrou um caminho, e de lá foi a Belo Horizonte. Fez um tanto de força, emagreceu, ficou leve, e a corrente a levou pra uma longa temporada entre Alagoas e Sergipe. Sentimos que a menina ficava cada dia mais leve, e, na volta, não houve mais jeito de ela se segurar no chão em Minas. Foi de novo a Teixeira, circunstâncias, enquanto ganha peso pra se arriscar de novo no caminho.

A mais velha saiu de Teixeira rumo às beiras de Lisboa. Trabalhou, trabalhou, cresceu, cresceu, saudade não coube mais e ela voltou. Um pouco mais de Teixeira, depois de a vida ter ganhado outro tamanho, exigia outra mudança. Daí ela foi aos Estados Unidos: Hackensack, Newark e outros cantos de nome estranho em Nova Jérsei. Trabalhou mais, cresceu mais, e de novo a saudade não coube. Teve um tanto mais de Teixeira. Fez suas paradas em Minas e no Rio. E agora, sente de novo o peso dessa vida que ganhou outro tamanho, fazendo ela não caber mais em casa.

Por agora, elas não encontraram terreno. Mas minhas irmãs ainda vão fincar lindas raízes.

24/agosto/2010

Indo desse jeito, eu quero é ver…

Tenho que levar para a aula de inglês amanhã algumas fotos de família, de festa, de gente celebrando. Não sei qual vai ser a atividade, mas o pedido foi que eu levasse fotos minhas, e não imagens catadas no Google. Como a aula por enquanto está sendo só para mim, porque não apareceram colegas, não me incomodei nada em dizer pra a teacher que sim, que tudo bem, que eu levaria um monte de fotos. Mas cadê? Não as tenho.

Não tenho nenhuma foto impressa comigo. Nem de família, nem de amigos, nem que eu mesmo tenha tirado. Isso todo mundo tem menos do que antes, quando se revelavam filmes e se colecionavam álbuns. Mas também não tenho muita foto no computador. Nada de festinha e de reunião familiar, por exemplo. Se já tive, em alguma hora de falta de rumo, apaguei.

Já sabia que não tinha as fotos comigo, mas achei que seria simples consegui-las. Credo! Percebi, como bem poucas vezes percebo, por não pensar muito, que mesmo falar com as pessoas que deveriam ter tais fotos não é assim tão simples. Fernanda, pode ser que tenha fotos dos aniversários de Maria, que por um tempo foram o melhor jeito que a gente encontrava pra que ela participasse da vida da filha. Tentei ligar pra ela e não consegui. Lina poderia ter alguma coisa mais velha, mas ela não está em casa.

Imagens de eu criança, com minhas irmãs crianças, isso eu não sei mesmo a quem pedir. Devem existir em alguma gaveta, mas em Minas ou na Bahia? Meus pais, acho que esses já estão ocupados demais em envelhecer, e não seriam de grande ajuda nessa tarefa de digitalizar e enviar por email alguma coisa que nem sei se eles têm guardado.

Quando alguém falar que guarda a família no coração, vou pensar com mais tristeza a esse respeito. Eu senti uma falta que há de passar, há de passar de guardar a minha família também na memória.

Algum dos meus vinte e nove irmãos está lendo essa porcaria? Mandem pra mim umas fotos de festas nossas, queridos irmãos. Eu nem preciso estar presente nelas.

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