Arquivo para ‘Post de gaveta’

7/agosto/2011

Verão de 1986,

Fotógrafo passou lá em casa, pra fazer fotos de minha irmã-bebezinho, e resolveram que eu seria clicado também. Com a pele queimada de quem pegou fogo no verão.

Fotógrafos em casa, lá pelos idos de 1986, não eram um luxo especial. Ter equipamento para fazer as próprias fotos é que seria grande luxo. Muito mais legal era que o menino tivesse um cavaquinho.

Então tira os brinquedos e as roupinhas do armário, e bota um sorrisão na cara!

“Precisa pentear cabelo?”

“Não.”

19/março/2010

Sed fiat voluntas Dei

Essa vontade de se arrastar de volta pra o escuro, eu poderia mais suavemente tratar por cansaço. Mais divertido, ia gostar de chamar de preguiça. Chato, de barriga vazia, sabedor do que virá, vejo só por formas que não fazem leitores felizes — hermetismo e confusão.

Veio aqui fazer o quê?

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2/outubro/2009

É autoafago? É.

Escrevia essas coisas de imperativo em segunda pessoa, que confundem o tempo presente com a ordem, pra falar de imagens aquecedoras de coração, despertadoras de ânimo.

Começou sendo um carinho por escrito com dono certo. Passou a ser carinho publicado pra muita gente. E cada vez mais agradou foi a meu serzinho, carente de afago, que descobriu jeito de dizer pra si mesmo “levanta, homem”.

Pus nome nesse conjunto pequeno de Imagens pr’um beijo, e me perdoei de muita bobagem desnecessária que não soube evitar enquanto escrevia (beijo é assim mesmo, acessório do acessório e, ainda assim, fundamento). Hoje, talvez me perdoe menos. Ou talvez beije mais. Fato é que não tive mais vontade de escrever tais imagens. Só não perdi o gosto de imaginá-las.

18/setembro/2009

Florzinha

De parêntesis aí atrás, passei pelo assunto de não me chamar Rosa.

Gastei mais um tanto de tempo pensando mais nesse sobrenome que não tenho.

Foi só depois de grande que eu senti falta dessa herança do meu pai.

Quando era menino, era um alívio não ser Rosa.

Não sei se era só pelo medo da implicância e da crueldade infantil, que ia comer meu couro por eu ter nome de cor de menina.

As crianças que ficassem quietas lá no canto delas, zoando das outras — das que chamavam Pinto, ou Coelho, ou Sardinha.

Os Rosa eram um perigo, gente bebedora e mulherenga, gastadora e rebelde.

Rosa era nome de macho!

Quando era menino, eu tinha um medo danado de virar macho. Menino e macheza custam a se encontrar ainda hoje.

3/setembro/2009

Não pise na grama!

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Ainda impressionado pelo Anticristo, resolvi publicar esse pedacinho de risco de me misturar ao verde. Só faltou escrever aí que as raízes vão arrebentar tudo o que for concreto e ladrilho.

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