Estranhos caminhos. Cheguei pra cá, já sabido dos fetiches das coisas, e nem por isso livre deles.
Senti falta de umas relações mais fortes, de estar mais disposto, mais disponível pra os que eu amo. Comprei um celular.
A necessidade de produzir e expressar, achei que resolveria com um computador novo. E quando expressão não veio, comprei uma capa pra proteger o computador e suas produções futuras.
A capa é de roupa de mergulhador, a mochila é de lona de paraquedas. A vontade é de uma vida mais aventureira?
Luz piscante vermelha, lanterninha branca, pesquisas por um capacete. Aventura em companhia de segurança. Bicicleta dobrável. Aventura cabendo dentro de casa. Falta um selim mais largo e macio, pra a aventura não broxar à toa.
Comida é um pouco de alegria. Juventude vem no protetor solar.
Precisávamos de ordem, de horizontes, de aconchego. Voltei com caixas plásticas, estantes desmontáveis, lençóis, tecido pra cortinas… extensa lista. Tinta branca, molduras, cabide, um pouco de ocupação pra os tempos mais secos. Espátula, lixas, massa, luvas, afirmado lugar de homem e arrimo. Cama de madeira, colchão firme, uma vida sem dor.
