Arquivo para ‘Sementinha do mal’

4/abril/2012

A felicidade não se compra (isso é nome de filme?)

Estranhos caminhos. Cheguei pra cá, já sabido dos fetiches das coisas, e nem por isso livre deles.

Senti falta de umas relações mais fortes, de estar mais disposto, mais disponível pra os que eu amo. Comprei um celular.

A necessidade de produzir e expressar, achei que resolveria com um computador novo. E quando expressão não veio, comprei uma capa pra proteger o computador e suas produções futuras.

A capa é de roupa de mergulhador, a mochila é de lona de paraquedas. A vontade é de uma vida mais aventureira?

Luz piscante vermelha, lanterninha branca, pesquisas por um capacete. Aventura em companhia de segurança. Bicicleta dobrável. Aventura cabendo dentro de casa. Falta um selim mais largo e macio, pra a aventura não broxar à toa.

Comida é um pouco de alegria. Juventude vem no protetor solar.

Precisávamos de ordem, de horizontes, de aconchego. Voltei com caixas plásticas, estantes desmontáveis, lençóis, tecido pra cortinas… extensa lista. Tinta branca, molduras, cabide, um pouco de ocupação pra os tempos mais secos. Espátula, lixas, massa, luvas, afirmado lugar de homem e arrimo. Cama de madeira, colchão firme, uma vida sem dor.

2/agosto/2011

Tirando o pó dos nervos

()

Hoje eu passei por Valéria, médica lá no meu trabalho. Conversamos como se não fosse consulta. E na receita que recebi, não há remédios. Suas instruções são: que eu chore tudo o que eu tiver vontade, que eu não assoe o nariz com muita força e que eu só me permita ficar deitado o tempo suficiente para que não junte poeira.

Acho que já parei de chorar. Nunca se sabe quando as ondas de tristeza e a saudade vão me atravessar de novo, mas estou quase certo de que, quando passarem, não tomarei um caldo. E a lembrança de meu pai, ainda bem, tem sido sempre uma lembrança feliz.

Valéria me aconselhou a repetir uns mantras pra sair mais rápido das marés mais salgadas, em que por vezes entro e de onde protelo a saída. Posso repetir o que quiser: uma oração, um versinho, um mote… Uma brincadeirinha tola que um amigão arrumou pra nós me abriu as portas de um mundo bobagento muito divertido, e é a ela que vou recorrer. Tão prático como band-aid: a gente bota ‘buceta’, (ou ‘boceta’, como quiserem) no lugar de um substantivo de nome de filme.

Tem como não rir, pensando em ir ver Harry Potter e as bucetas da morte – Parte 2?

Quem não se emociona com as lembranças da Sessão da Tarde, quando Curtindo a buceta adoidado e Ninguém segura essa buceta animavam nossas infâncias?

Me vem na cabeça as cenas de Bucetas à beira de um ataque de nervos, e a vida fica instantaneamente mais fácil…

29/janeiro/2011

sol envelhece

~*~

Logo cedo, já faz calor de miragem e céu sem nuvem. A gente se esquiva pelas sombras, se abriga perto de ventiladores, tira roupa, bebe com gelo, preguiça. Envelhecer perto dos 40 graus deixa a gente com muita preguiça (de escrever, inclusive).

Cerveja, não.

Bolo de aniversário, não.

Parabéns e presentes e abraços, não.

A única justa comemoração é numa rede!

 

2/janeiro/2011

Aquele carnaval que passou

Qualquer lanchezinho era uma festa abundante.

Comi hambúrguer perto do hotel pra me aliviar tarde da noite. Até o catchup deixa saudade.

Tomei daqueles cafés da manhã que a gente tem que ser muito forte pra encerrar antes de explodir. Começava comendo fruta e iogurte, e sem saber como, minutos depois já estava agarrado a um prato de panquecas com chocolate.

Pedi bife à parmegiana e fui surpreendido com uma travessa que serviria três pessoas tranquilamente.

Tive feitos pra mim, em frigideira e com manteiga, uns mistos quentes tostadinhos. Nosso amigo hospedeiro tem um talento especial pra fazer café como mineiros gostam.

Fomos a restaurante indiano, em que os deliciosos pratos sem carne eram acompanhados de suco de pitanga e maçã, servidos livremente em copos de alumínio. Não pense em curry, porque o melhor cheiro sentido era de erva-doce na salada.

Ataquei os pedaços de frango à passarinho enquanto a mesa se distraía com cerveja.

Ganhei brigadeiro de colher e suspiros de nozes, pra chupar rezando a colherzinha e gemer num canto.

Estivemos na deliciosa padaria que nunca fecha. Encarei um sanduichão de salame.

Fomos a uma pizzaria em que bordas de pizza valiam a pena sem recheio. Elas valiam até mesmo uma espera de meia hora na porta.

Enchi um prato com nhoque à bolonhesa num restaurante a quilo.

Comprei alfajor argentino várias vezes.

Em todo lugar aceitavam meu vale-refeição.

Quero que São Paulo me receba muitas vezes mais.

(desculpa aí qualquer comida que não tenha sido citada, mas demorei pra escrever isso, e posso ter misturado as lembranças)

 

24/outubro/2010

Compra de votos

Rodrigo passou por aqui durante a semana. Servimos carne e tomamos cerveja. Conversamos sobre eleições presidenciais, e ele nos divertiu com seus relatos de participação na campanha da Dilma.

Eu tomo as minhas latas separadas, sem álcool. Daniel e a visita não se excederam. Sobraram latinhas cheias.

Carolzinha e Macaco estiveram aqui na sexta. Servimos outra carne, tomamos mais cerveja. Conversamos também sobre eleições, rimos de bolinhas de papel e quebras de sigilo encomendadas, e Carol ostentava uma Dilminha adesivada no peito.

Continuo tomando cervejas sem álcool. Macaco só toma cachaça. Daniel e Carol não se excederam. Sobraram mais latinhas cheias.

Gummi ficou conosco no fim de semana. Nós, um pouco cansados. Ele, a caminho de uma prova importante — trocamos essas festas de carne, cerveja e política por séries de tevê, sessões de Youtube e desjejuns regados.

As latinhas cheias, agora ultrageladas, resistem.

Quem gostar de cerveja, pode passar aqui em casa pra ajudar. O cardápio não precisa ter carne. O assunto não precisa ser Dilma. É só pra colaborar com o esvaziamento da geladeira, que tá um pouco empacada com esse clima de segundo turno, sabe?

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.