2/agosto/2012

Coaxa, pererequinha!

Passamos uns dias juntos em São Paulo, na casa da mãe.

Tava gostoso, gente, mas de um tanto que a saudade nem passa.

Essas palavrinhas repetidas no fim dos versos não param de tocar o coração do tio…

28/abril/2012

Fogo sob a água

O telefone tocou, e não era pra mim. Mas como não tem tu, vai tu mesmo. Fui com um amigo de segunda mão assistir a alguma coisa no cinema aqui perto de casa. Veríamos Shame, de Steve McQueen, filme sobre um cara viciado em sexo. Mesmo tendo chegado quarenta minutos antes, não achamos mais ingresso. Vício em sexo lota qualquer sala.

Trocamos de cinema, compramos entradas pra um filme sobre o qual não tínhamos informações, e fomos ver As neves do Kilimajaro (Les Neiges du Kilimandjaro), de Robert Guédiguian. Esse era sobre vida de trabalhadores, sobre acreditar em sindicato, sobre solidariedade, sobre ser casado há décadas, enfim, sobre essas coisas que vão se acabando com a mesma velocidade que as neves nos altos dos picos em tempos de tempo quente. Bateram palmas no fim da sessão, mas eram aquelas palmas que eu escuto constrangido quando um melodrama acaba. Alto-astral e altruísmo precisam de doses cavalares de fantasia acompanhando —em histórias realistas, gente boa só me aborrece.

Dia seguinte eu voltei ao cinema. Vi A vida dos peixes (La vida de los peces) de Matías Bize. Foi indicado por alguém em quem começo a confiar: bom sinal. Tem resistido em cartaz numa salinha minúscula, em uma sessão diária, já faz um tempo: mais bom sinal. E o bonequinho da crítica do jornal tava dormindo pra esse filme: sinal que costuma ser excelente. Vi sozinho, no maior silêncio, pra assim permanecer por horas. Como nas nossas vidas, na vida dos peixes há muitos fachos insistentemente acesos, muitos buracos atraentes e muita memória traiçoeira (tanto pelo que guarda quanto pelo que deixa de guardar).

4/abril/2012

A felicidade não se compra (isso é nome de filme?)

Estranhos caminhos. Cheguei pra cá, já sabido dos fetiches das coisas, e nem por isso livre deles.

Senti falta de umas relações mais fortes, de estar mais disposto, mais disponível pra os que eu amo. Comprei um celular.

A necessidade de produzir e expressar, achei que resolveria com um computador novo. E quando expressão não veio, comprei uma capa pra proteger o computador e suas produções futuras.

A capa é de roupa de mergulhador, a mochila é de lona de paraquedas. A vontade é de uma vida mais aventureira?

Luz piscante vermelha, lanterninha branca, pesquisas por um capacete. Aventura em companhia de segurança. Bicicleta dobrável. Aventura cabendo dentro de casa. Falta um selim mais largo e macio, pra a aventura não broxar à toa.

Comida é um pouco de alegria. Juventude vem no protetor solar.

Precisávamos de ordem, de horizontes, de aconchego. Voltei com caixas plásticas, estantes desmontáveis, lençóis, tecido pra cortinas… extensa lista. Tinta branca, molduras, cabide, um pouco de ocupação pra os tempos mais secos. Espátula, lixas, massa, luvas, afirmado lugar de homem e arrimo. Cama de madeira, colchão firme, uma vida sem dor.

24/janeiro/2012

Festa de formatura

Dan, quando entrarmos na casa da , conversa baixinho, tá?”
“Mas pra quê? Renata nem tá lá! Ela tá viajando. Ela é MUITO FINA.”
“Porque é madrugada e a gente não quer os vizinhos dela com raiva.”
“VERDADE, RENATA É MUITO FINA, RENATA É MUITO FINA…”
“Agora bora tirar essa roupa e tomar um banho.”
“Ah, não quero! eu quero é usar o enxaguante bucal da Rê, que É MUITO FINA.”
“Não vou deixar você deitar sujo.”
“É mesmo, Rei. Não posso deitar sujo aqui porque a RÊ É MUITO FINA.”
“É, sim, muito fina! Não vamos fazer bagunça.”
MUITO FINA, REI. MUITO FINA…”

7/outubro/2011

Tentação preguiçosa, vate retro!

Fiz o plano, tive a vontade, e eu ia escrever um pouquinho que fosse sobre cada livro que eu lesse. Pra poder refletir mais, pra comunicar com os outros, e pra criar uma trilha que facilitasse a lembrança. Pra isso é que botei aqui uma seção Assim disseram.

Fiz? Cadê? Já se passaram uns vários livros sem qualquer anotação… Nos últimos dias, festinha, e eu até disse a alguém sobre o gosto bom que eu tenho em ler sem ter que anotar. Se eu ceder a essa tentação preguiçosa, em pouco tempo eu vou começar a ler coisa repetida, por puro esquecimento.

Pequena lista aqui, então, eu faço pra correr atrás do prejuízo:

 

Contos de horror do século XIX, de vários autores, eu fui lendo aos pedaços no primeiro semestre. A volta de parafuso, de Henry James, eu li umas três vezes.

Bilionários por acaso, de Ben Mezrich, comprei pra Gugas.

O menino do pijama listrado, de John Boyne, foi presente pra Mamarina (e, sim, eu gosto de ler antes de entregar os presentes).

Os mandarins, de Simone de Beauvoir, com quem eu atravessei a última temporada ao lado do pai.

Clarice, de Benjamin Moser, acabou me ajudando a voltar a ter ideias e a estudar.

Orlando: uma biografia, de Virginia Woolf, foi a coisa mais hipnótica com a qual entrei em contato por muito tempo.

 

(A lista já foi feita com um atraso considerável, porque não falo do último livro. É que sobre ele eu quero mesmo escrever mais. E deixar as coisas inacabadas pode servir de razão pra voltar a fazê-las. Vou tentar resistir mais um pouquinho, pra manter nessa vida algum registro mais decente.)